sexta-feira, 21 de maio de 2010

A BUNDA

Esses dias me enviaram umas fotos de uma modelo linda. O e-mail vinha intitulado “a bunda mais linda". Olhei as fotos, apenas por curiosidade, pois eu não consigo ir além disso. Como posso desejar um pedaço de papel onde vem impresso uma bunda editada, ou mesmo quase desenhada? Realmente a bunda era anatomicamente bem redondinha, sem marcas, sem dobras, sem estrias, sem celulite. Não sei dizer ao certo, mas desconfio muito, se é daquele jeito mesmo ou se foi editada no Photoshop.
Tenho notado que está havendo um conceito errado de beleza, que está sendo confundido com um padrão de perfeição. Beleza definitivamente não é perfeição e muito menos uma bunda tão somente.
O que é uma bunda bonita afinal?
Bunda bonita é aquela que cada um, usando seu padrão pessoal de beleza, considera agradável aos olhos.
Há quem goste de uma bundona, outros de uma bundinha magrinha, alguns de arrebitada ou tipo reta. Eu por exemplo acho bonita a bunda com sinais da idade, não importa se tem um pouco de tudo: pinta, espinha, celulite, gordurinha, estria.
A mulher não é uma bunda apenas, a mulher é um conjunto, assim como o homem.
A quem se contente com apenas uma linda bunda, assim como quem se preocupe mais com o impacto do embrulho do presente que com o próprio presente em si.
Um relacionamento, mesmo que por uma noite, é muito mais gratificante quando além da beleza geral ou não, e da bunda de qualquer tipo, há conteúdo. Caso contrário seria algo como um filme sem legenda e sem som.
É comum se esperar um pouco mais de quem tem algo físico que chame mais a atenção.
Portanto a dona de lindas bundas tem que se preocupar mais ainda com o conteúdo. Assim como de um belo carro lindo e importado de luxo se espera muito mais que de um carro básico nacional.
Hoje existem milhares de leitores de revistas de nu feminino, que apreciam não só os artigos da revista, mas também e principalmente as modelos fotografadas, ou melhor dizendo; as bundas. Eu diria que a técnica é semelhante a uma casa, que para vender mais rápido e com um preço melhor damos uma maquiada, uma pintada, com pedreiroshop ou pintorshop.
Consigo ver beleza em todas as mulheres, todas podem ser desejadas. Ë uma pena que a sociedade, talvez até acidentalmente, tenha estabelecido certos padrões de beleza para dizer o que é melhor e mais desejado. Isso tanto é verdade que a imagem de Jesus Cristo que até hoje ainda circula pelo mundo é de um homem bonito, cabelos igualmente bonitos e compridos, e lindos olhos azuis. Sabe-se que na bíblia está escrito que nele não havia formosura alguma (IS53-2).
Parece que para vender qualquer produto, serviço ou idéia a imagem, mais precisamente a bunda, vem antes do rosto. Deus errou então? Deveria ter criado a mulher com a bunda na frente?
A bunda é usada para vender cerveja, para atrair expectadores para a fórmula um, para vender carros, perfumes, aparelhos de ginástica, audiência em canais de TV, enfim, a bunda se tornou quase uma moeda de troca.
Nas praias a quem tropece e brigue com a namorada, noiva ou esposa, porque olhou uma bunda.
Há muito homem que volta da praia com uma coleção de fotos de bundas.
Tem gente que bate o carro por causa de uma bunda, até tromba em postes.
O assento traseiro de algumas motos virou pedestal em algumas praias, na época do verão, onde a bunda fica em exposição.
E os turistas, que vem ao Brasil atrás de bundas. Para ver bundas cariocas ou para cobiçar bundas do nordeste.
O que é o carnaval então? Um desfile de fantasias ou de bundas?
Todos sabem que recentemente numa faculdade uma moça ficou famosa não por alguma monografia, tese ou mestrado, mas sim e principalmente por causa da bunda.
Será que é essa a imagem que o Brasil passa ou quer passar lá fora? De uma bunda?
Já imaginou se a idéia vai mais longe: Poderiam atribuir o B de Brasil como B de Bunda, principalmente.
Da até pra imaginar uma propaganda para atrair turistas, virando o B de lado, para parecer uma bunda.
Seguindo toda essa importância dada a bunda o corpo humano deveria ser dividido então em: bunda, cabeça, tronco e membros.

domingo, 16 de maio de 2010

SUMILÂNDIA

Sumilândia era o nome
De um lugar sem destino
Uma cidadela longínqua
Parente nem era primo

Foi naquela cidade
Onde tudo começou
Um assassino sanguinário
Aquele homem matou

Depois disso inicio-se
Uma guerra sem precedente
Onde um mata o outro
Mesmo que seja parente

Antonio tinha seis filhos
Quando a vingança travou
Depois de tantas matanças
Nenhum filho sobrou

Passava da meia noite
João estava parado
Ao virar-se para trás
Só viu o fio do machado

Assim quando um matava
O outro queria vingança
Ficar vivo ali
Ninguém já tinha esperança

Havia naquela cidade
Alguns coronéis do sertão
Cidadão comum já morria
Imagine se fosse ladrão

Assassinato era rotinaMesmo indo trabalhar
Ninguém era perdoado
Mesmo que a passear

Essa historia mais parece
Gângster a se matar
Quando um parente nascia
Era preciso cuidar

As mães choravam as mortes
Os Pais juravam o troco
Mal passava uma semana
Já havia no chão mais um corpo

Menino de doze anos
Já tinha coldre à cintura
O revolver era seu pincel
E a morte era pintura

Todos andavam armados
Como no velho oeste
Que não morria por bala
De certo com alguma peste

Se a peste não matasse
Essa gente tão sofrida
Morria de qualquer jeito
Mesmo com bala perdida

Com tanta gente morrendo
Nada rendia dinheiro
O único homem mais rico
Era seu Pedro coveiro

Nessa matança sem trégua
Foi morrendo um a um
Passados mais alguns anos
Não havia sobrado nenhum

Ficou um lugar deserto
No céu só sobrou urubu
As covas que ali ficaram
Viraram ninhos de tatu

TEORIA DO NOVO TEMPO

Já faz alguns anos que em conversas informais e bate-papos as pessoas comentam sobre a rapidez com que o tempo passa. Dizem que estão numa segunda-feira e num piscar de olhos já é sexta-feira, que mal começaram a fazer algo simples e nem deu “tempo” de terminar.
Alguns justificam alegando que isso é em razão da vida moderna, da correria e da grande quantidade de coisas para se preocupar e fazer e que antigamente tudo era mais tranquilo.
Essa pode ser uma justificativa interessante, mas mesmo pessoas que não levam uma vida corrida também têm essa mesma sensação que o tempo passa mais rápido.

Particularmente, tenho uma teoria que intitulei como a “Teoria do Novo Tempo” e gostaria de compartilhar com outras pessoas, para que o assunto fosse levado em consideração.
Aprendemos nos primeiros anos de escola que o ano é medido pelo movimento de translação da terra, isto é, a volta que a terra dá em torno do sol. Ficou estabelecida a medida de 365 dias como sendo uma volta em torno do sol e 366 em decorrência de ajustes.
Também aprendemos que o movimento de rotação representa um dia de 24 horas, e que esse movimento é o giro da terra em seu próprio eixo imaginário.

Ao mesmo tempo em que a terra rotaciona em seu eixo, gerando o dia e a noite, onde um lado fica exposto ao sol e o outro na escuridão, ela também gira em torno do sol.
Agora, pensando de forma diferente, suponhamos que num dado momento a terra passe a girar mais rapidamente em um desses dois movimentos, translação ou rotação, ou mesmo nos dois simultaneamente. Isso não alteraria a contagem de dias, horas ou anos, pois foram estabelecidas as unidades de medida, dia e ano a partir dos movimentos e não o contrário.

Para exemplificar: Suponhamos que eu queira criar uma unidade de tempo a partir de um movimento: de minha casa até o centro estabeleço que esse percurso de 500 metros se chamará X, então fraciono esse trecho em 10 partes iguais, e cada parte eu chamo de Y. Y seria décima parte de X, sempre, em qualquer situação.
Pronto, estabeleci um novo conceito de tempo, onde X é o dia e Y a hora. Se depois de estabelecido esse conceito, eu andar mais rápido nada mudará, y continuará sendo a décima parte de X, apenas sentirei a sensação que tudo foi mais rápido.

Supondo que isso seja um fato, o dia continuaria tendo 24 horas e o ano 365 dias. Só poderia ser perceptível essa mudança pelo sistema sensorial, teríamos apenas a sensação que tudo acontece mais rápido, mas no mesmo espaço de tempo marcado no relógio e no calendário.
Talvez, para poder identificar esse acontecimento, não que isso seja exato, teríamos que nos tornar independentes do sistema de marcação de tempo de nosso planeta, de nosso sistema solar, deveríamos estabelecer outra unidade de tempo, mas que fosse associada a movimentos fora de nosso sistema, sem parâmetros com as medidas adotadas hoje.
Tudo é calculado, medido e analisado a partir de nosso conceito de tempo, colocamos o nosso padrão como universal, mas isso é pertinente apenas a nós que vivemos na terra e que associamos a passagem o tempo aos seus movimentos.

Até parece meio irracional essa possibilidade de outro padrão de medida, mas um dia ele terá que ser criado. Todo o universo está em movimento e esses movimentos podem se tornar mais lentos ou mais rápidos, mas como notá-los se nosso padrão de marcação do tempo é tido como exato. Talvez seja até egoísta se comparado com outras leis universais que ainda desconhecemos.
Se esse suposto aumento de velocidade dos movimentos da terra pudesse ser medido, uma pessoa que pensa que tem 50 anos na verdade teria menos ou mais. Pois há dois fatores que determinariam a idade: O movimento alterado da terra em relação ao envelhecimento e a relação do envelhecimento a própria medida do tempo.
Há um boato científico que fora da orbita da terra o envelhecimento ocorra mais lentamente. Mas pode ser que não seja nada disso, pode ser que nossa medida do tempo é que esteja equivocada ou pertinente apenas à terra.

Esse conceito pode até ser complicado, mas é muito mais lógico que se imagina.
Até a contagem de distâncias universais pode estar errada, pois todas são baseadas no nosso tempo. Os cientistas lançam no espaço uma onda de rádio que ao retornar, o “tempo” que levou, serve de base para medir a possível distância entre dois pontos. Porém se a terra girou mais rápida, ou mais devagar, tudo isso pode estar com alguma margem de erro.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Achei que sabia, mas nada sei.

Incrível, quanto mais vivo mais fico convicto que menos sei.

Aos 3 anos eu não sabia quase nada, mas quase tudo me despertava curiosidade.
Aos 7 anos eu já sabia escrever meu nome.
Aos 10 anos eu já tinha percepção para o amor
Aos 15 anos eu já começava achar que sabia muito.
Aos 21 anos eu já achava que estava mais certo que meus pais.
Aos 25 anos eu continuava a achar que sabia, e punha a culpa dos erros nos outros.
Aos 30 anos eu já me julgava experiente
Aos 35 anos eu percebi que nem tudo é como realmente eu imaginava que deveria ser.
Aos 40 anos eu já notava que tinha bastante a aprender
Aos 45 anos muitas convicções caíram por terra.
Aos 50 anos descobri que é preciso reaprender.

Daqui pra frente eu não sei ainda, mas presumo que aos 90 ou 100, para ser sábio terei que me tornar puro como uma criança.